Iemanjá

A alma do mar me chamou,

as profundezas das águas sonoras, magnéticas

atraíram para um caminho sem volta

metamorfose,

transformação rítmica das camadas mais sutis da pele

tecido que dá forma corpórea ao fulgor transbordante de vida

Numa noite de festa, ela me trouxe o amor, em forma de peixe

a alma humana, revirada do avesso,

pela primeira vez, calou-se

e contemplou os sons do universo

sentiu o estrondo da fusão de origem

dançou,

quebradiço, o corpo esqueceu suas carcaças, o peso do passado,

as estruturas perderam-se, inúteis,

sem lugar

experimentou a liberdade

sublime amor,

aura ancestral latejante, cintilante

Esse registro transformou para sempre a memória e o desejo

passos de dança para novos mares, Rio

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